É muito chato cometer burradas! Primeiro por causa do maldito sentimento de culpa por conta das pessoas que você decepcionou no processo; segundo porque ficam aquelas sequelas...
Eu já vi muitos relacionamentos sequelados por brigas, palavras imprudentes, gestos omissos, carinhos não dados... Principalmente entre pais e filhos, homens e suas esposas...
Eu posso dizer de mim que costumava ser uma pessoa de temperamento explosivo e paciência curta. Já perdi um grande amor por conta das palavras rudes que eu dizia e da visão auto-umbíguica que eu tinha do mundo. Sempre dando importância às ofensas feitas a mim e raramente medindo a força do meu contra-ataque.
Eu digo que "costumava ser" não por estar inteiramente mudado, mas porque hoje eu tenho consciência da minha falha e não tenho nenhum orgulho do meu sarcasmo e nem tampouco da minha falta de tato com os seres humanos.
Outras vezes eu me divertiria em dizer algo que significasse "desprezível raça humana - merecem todos serem humilhados para aprenderem o seu lugar", mas quem sempre teve que usar o chapéu cônico e sentar num banquinho virado para o canto da sala era eu.
Se não fosse por um poder maior do que eu, uma consciência acima da minha e que tem muita misericórdia e amor pela minha vidinha de formiga, eu ainda estaria por aí... Perdendo pessoas real e profundamente amadas por conta de uma vaidade chula e uma triste mesquinhez de espírito, incapaz de esmolar perdão a pequenas ofensas - muitas vezes sem intenção de ser.
Depois de quase três décadas eu posso dizer que entendi o enunciado da lição e submeto-me à mudança e correção. Que minha filha não venha a crescer construindo uma relação de sequelas e quelóides e que sua mãe tenha muito gozo em minha companhia.
Em minha defesa, só posso dizer isso: Te amo.
Saturday, October 17, 2009
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