Friday, October 30, 2009

Demais não pode.

Leite demais em sucrilhos de menos é ruim. Os flocos ficam molengas, sem aquela "crocância" maravilhosa! Parece uma papa sem sabor. Mesma coisa com quase tudo na vida... tudo que é bom, que é maravilhoso, que dá prazer e é gostoso pode se tornar intragável se você afogar com cobranças e uma responsabilidade imposta.

Graças a Deus, eu tenho tido sabedoria vinda do alto pra discernir essas coisas. É incrível como tem gente (eu) que gasta tempo dando murros em ponta de faca antes de perguntar ao Pai o que fazer...

Friday, October 23, 2009

azul

Ontem, no helicóptero, saindo do navio, eu fiquei admirando o meu novo amor: o mar.

Azul azul azul, de um azul comovente, ondas a subir e descer, com ondinhas em ondonas e ondinhasinhas em ondinhas com brilhos metálicos de peixes esporádicos. Peixes enormes! Parecem sereias passeando sem rumo fazendo espuma com as caudas só pra saudar esse observador apaixonado.

Quinze minutos, talvez mais, depois desse azul que eu nunca havia visto, uma mancha estranha. Riscos etéreos de um castanho disforme seguindo a correnteza. Depois disso, em blocos nítidamente distintos, sem nenhuma fase de transição, cores e tons de azul foram aparecendo. Cada vez que um novo azul aparecia, a sensação era menos limpa, menos pura, até que aquela cor, aproximando-se da costa, me nauseava.

Por fim, aquele azul tornou-se num verde pútrido, como se o mar fosse uma grande poça suja de caldo de cana do chinês da esquina. Aquele que limpa a testa suada com um paninho encardido e depois guarda-o no cofrinho cabeludo.

Quando eu não podia mais suportar olhar pro que o mar havia se tornado com a proximidade da pior praga desse planeta, eu vi areia. E praginhas caminhando nela. E barraquinhas e cangas e guarda-sóis.

Hoje eu peguei a barca do Rio pra Niterói e me encontrei de novo com o balanço do mar, mas as águas lá fora eram feias e sujas. Foi como me deitar com uma puta vulgar de uma esquina emporcalhada depois de experimentar os beijos cristalinos do meu amor.

Praia nunca mais.

Wednesday, October 21, 2009

irritado com amanhã

Caraca... Muito!

Só de saber que eu vou sair dessa porcaria de navio só lá pras onze horas e vou ficar de meio dia e meio até as oito ou nove horas da noite dentro de uma porcaria de um ônibus desconfortável sem NADA pra fazer... E, depois de chegar em casa, ainda correr o risco de ter que esperar mais uma noite pra ver a minha fêmea...

Se eu tivesse duzentos reais de bobeira eu pegava um avião. Uma hora de vôo. Dez horas de estrada. UMA HORA DE VÔO! DEZ HORAS DE ESTRADA! Não há como não se irritar com a mera idéia!

Fora que o dia de hoje é só tédio! Um maldito relatório enfadonho e uma cartinha cretina desejando boa sorte pro pobre coitado que vai passar os próximos quatorze dias dele enfurnados nessa bóia infeliz!

Como eu queria tropeçar em duzentos reais amanhã.

Uma hora de vôo...


...dez horas de estrada...

Tenho que parar de murmurar... Pelo menos eu tenho um emprego...

últimos pensamentos de ontem

Desliguei o telefone com ela e saí cambaleando pro meu quarto como um bobo apaixonado de sorriso sonâmbulo e olhos fechadinhos... Meu sonho de ter uma família me parece tão próximo que parece que é mentira!

Quanto ao barco... tudo normal. Os mesmos corredores pálidos findos em escotilhas perigosas repletas de sinais em cores quentes, alertando e lembrando que estamos sobre uma bomba relógio flutuante. As mesmas escadarias de um amarelo encardido pela maresia e janelas de arestas arredondadas aparafusadas num cobre sem expressão. Só o que continua lindo é o mar.

Esse vai ser pra sempre.

Tuesday, October 20, 2009

indesejado companheiro...

Pois é. Esse é o tédio. Prefiro mil vezes o tempo em que estou trabalhando do que o meu tempo livre nesta enfadonha embarcação. O que me ajuda a curar o tédio é o roteiro que eu escrevo a passos de formiga e os curtos períodos de 3 minutos com ela ao telefone.

Pelo menos esse navio tem internet e tudo mais... Acho que chego a uma conclusão...

O tédio é o pai dos blogs...

...pelo menos desse.

Saturday, October 17, 2009

Sequelas

É muito chato cometer burradas! Primeiro por causa do maldito sentimento de culpa por conta das pessoas que você decepcionou no processo; segundo porque ficam aquelas sequelas...

Eu já vi muitos relacionamentos sequelados por brigas, palavras imprudentes, gestos omissos, carinhos não dados... Principalmente entre pais e filhos, homens e suas esposas...

Eu posso dizer de mim que costumava ser uma pessoa de temperamento explosivo e paciência curta. Já perdi um grande amor por conta das palavras rudes que eu dizia e da visão auto-umbíguica que eu tinha do mundo. Sempre dando importância às ofensas feitas a mim e raramente medindo a força do meu contra-ataque.

Eu digo que "costumava ser" não por estar inteiramente mudado, mas porque hoje eu tenho consciência da minha falha e não tenho nenhum orgulho do meu sarcasmo e nem tampouco da minha falta de tato com os seres humanos.

Outras vezes eu me divertiria em dizer algo que significasse "desprezível raça humana - merecem todos serem humilhados para aprenderem o seu lugar", mas quem sempre teve que usar o chapéu cônico e sentar num banquinho virado para o canto da sala era eu.

Se não fosse por um poder maior do que eu, uma consciência acima da minha e que tem muita misericórdia e amor pela minha vidinha de formiga, eu ainda estaria por aí... Perdendo pessoas real e profundamente amadas por conta de uma vaidade chula e uma triste mesquinhez de espírito, incapaz de esmolar perdão a pequenas ofensas - muitas vezes sem intenção de ser.

Depois de quase três décadas eu posso dizer que entendi o enunciado da lição e submeto-me à mudança e correção. Que minha filha não venha a crescer construindo uma relação de sequelas e quelóides e que sua mãe tenha muito gozo em minha companhia.

Em minha defesa, só posso dizer isso: Te amo.