Friday, October 23, 2009

azul

Ontem, no helicóptero, saindo do navio, eu fiquei admirando o meu novo amor: o mar.

Azul azul azul, de um azul comovente, ondas a subir e descer, com ondinhas em ondonas e ondinhasinhas em ondinhas com brilhos metálicos de peixes esporádicos. Peixes enormes! Parecem sereias passeando sem rumo fazendo espuma com as caudas só pra saudar esse observador apaixonado.

Quinze minutos, talvez mais, depois desse azul que eu nunca havia visto, uma mancha estranha. Riscos etéreos de um castanho disforme seguindo a correnteza. Depois disso, em blocos nítidamente distintos, sem nenhuma fase de transição, cores e tons de azul foram aparecendo. Cada vez que um novo azul aparecia, a sensação era menos limpa, menos pura, até que aquela cor, aproximando-se da costa, me nauseava.

Por fim, aquele azul tornou-se num verde pútrido, como se o mar fosse uma grande poça suja de caldo de cana do chinês da esquina. Aquele que limpa a testa suada com um paninho encardido e depois guarda-o no cofrinho cabeludo.

Quando eu não podia mais suportar olhar pro que o mar havia se tornado com a proximidade da pior praga desse planeta, eu vi areia. E praginhas caminhando nela. E barraquinhas e cangas e guarda-sóis.

Hoje eu peguei a barca do Rio pra Niterói e me encontrei de novo com o balanço do mar, mas as águas lá fora eram feias e sujas. Foi como me deitar com uma puta vulgar de uma esquina emporcalhada depois de experimentar os beijos cristalinos do meu amor.

Praia nunca mais.

No comments: